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TITÃS: por que a série live action é tão diferente da animação?

Titãs (Foto: Divulgação)
Antes mesmo de estrear, o live action de Jovens Titãs gerou polêmica devido o vazamento de imagens dos bastidores da série. Aparentemente, a aparência e visual dos personagens principais não agradou muito a alguns fãs e parte do público acostumado com a série animada do Cartoon Network, Os Jovens Titãs (Teen Titans), lançada em julho de 2003.

A intérprete da Estelar, Anna Diop, inclusive, foi alvo de racismo em suas redes sociais.

Mas, afinal, quais as diferenças e semelhanças entre o live action e série animada?

Antes, considero importante contextualizar que Teen Titans teve sua primeira aparição no universo de HQs da DC Comics em 1964 e desde então, a editora cancelou e relançou a equipe de heróis várias vezes, com a introdução de novos personagens e narrativas. Mas foi no revival dos anos 1980 que a série alcançou sucesso pela primeira vez. Sob a narrativa de Marv Wolfman e desenhos de George Pérez, os já conhecidos Robin, Moça-Maravilha e Kid Flash são apresentados como jovens adultos, além de introduzir Estelar, Ravena, Cyborg e Mutano na trama - que se tornou mais complexa, se aprofundando nas motivações dos vilões e traços de identidade dos personagens principais. 


É nesse contexto que o live action, lançado em outubro de 2018 pela DC Universe (nova plataforma de vídeo streaming operada pela DC) está inserido.  Então, fica claro entender que o visual adotado pelos personagens na série é inspirado nos quadrinhos originais dos anos 80 (The New Teen Titans #1), em que a alienígena Estelar é apresentada com cabelos cacheados/crespos, que se tornam flamejantes quando ela alça voo. 

Estelar/Starfire (Foto: Divulgação)
Entendendo isso, o próximo passo é observar que a série Titãs é uma produção de origem, com uma narrativa muito focada na trajetória e autodescoberta dos personagens. Nesse ponto, a trama peca bastante pelo destaque dado a Dick Grayson (o primeiro Robin), que vive um conflito interno de querer fugir da sombra de seu tutor, o Batman, ao mesmo tempo que parece se tornar cada vez mais parecido com ele. Tomado por uma onda de violência e brutalidade toda vez que coloca a máscara de Robin. 

Seria uma narrativa interessante, não fosse o tom exagerado e até apelativo em que Grayson é apresentado, com várias cenas de flashbacks que quebram o clímax em construção e deixam em segundo plano o desenvolvimento das demais personagens. Ravena, por exemplo, apesar de desempenhar papel fundamental no arco da trama, fica estagnada e não apresenta muita evolução como personagem. Presa no conflito de não conseguir compreender e controlar os seus poderes. 

Por outro lado, Estelar é a grande surpresa da série e Anna Diop tem a oportunidade de calar a boca dos haters, com a atuação impecável e autêntica dada à sua personagem. Além  de reforçar a temática de origem, que citei acima. Pois assim como Robin, Estelar também apresenta uma trajetória de autodescoberta, procurando redescobrir suas origens e recuperar sua memória. Esse mesmo traço é identificado no Mutano, que tem de aprender a lidar com as situações violentas quando se transforma. No entanto, e infelizmente, o personagem é pouquíssimo explorado, ficando apenas como o alívio cômico ou fofo da série.

Titãs está disponível na Netflix (exceto Estados Unidos) Foto: Divulgação
Ainda assim, não considero a série ruim ou mediana. Apesar de haver várias pontas soltas e mais perguntas do que respostas, a série foi consistente em confrontar o passado e histórico dos personagens com o peso e importância de suas escolhas e decisões de hoje. Todos nós enfrentamos "demônios internos" e por mais que tentemos, não podemos fugir deles. Com os Titãs não é diferente.

O final não foi tão impactante como poderia, mas abre espaço para o potencial que a série tem a desenvolver: amarrar as pontas soltas e consolidar essa equipe de heróis que é uma ponte entre o universo das HQs e a realidade - superpoderosos, mas em busca de compreender o seu lugar no mundo, um objetivo que faça sentido ao seu "eu".
Lenta e arrastada, mas com uma narrativa consistente e desenvolvimento promissor.

3.5/5.0

Um comentário:

  1. Ainda não vi a série. Amo séries de heróis.
    Bom restante de semana!

    Jovem Jornalista
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    O blog está em HIATUS DE VERÃO até o dia 23 de fevereiro, mas temos post novo. Comentarei nos blogs amigos nesse período.

    Até mais, Emerson Garcia

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